The Peninsula Times - Mulheres acusam arcebispo de Rabat de violência sexual

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Mulheres acusam arcebispo de Rabat de violência sexual
Mulheres acusam arcebispo de Rabat de violência sexual / foto: FETHI BELAID - AFP/Arquivos

Mulheres acusam arcebispo de Rabat de violência sexual

Cinco mulheres acusaram o cardeal espanhol Cristóbal López Romero, arcebispo de Rabat, de agressão sexual, segundo fontes próximas do caso e depoimentos das vítimas aos quais a AFP teve acesso.

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As denúncias contra o religioso, 74, são investigadas pelo Vaticano e o levaram nesta terça-feira a se afastar de suas funções. Nenhuma denúncia foi feita junto à Justiça do Marrocos, informou à AFP o vigário geral Marc Helfner, subordinado direto do cardeal.

Considerado entre os possíveis candidatos para suceder ao papa Francisco no conclave de 2025, López Romero nega as acusações.

Segundo o site do Vaticano, após ser ordenado sacerdote em 1979, ele partiu em 1984 para o Paraguai, onde esteve por quase duas décadas, e de 2011 a 2014 foi superior da província salesiana da Bolívia.

López foi fundador da Associação de Comunicadores Católicos do Paraguai (ACCP) e um dos principais organizadores da visita do papa João Paulo II, em 1988. Foi inspetor salesiano no Paraguai até ser transferido para o Marrocos em 2002.

"Não sabemos a veracidade das acusações, mas sempre se deve confiar na investigação", disse à AFP Edmundo Valenzuela, arcebispo emérito de Assunção.

A AFP entrevistou uma aposentada que colaborava ativamente com a Igreja. Ela não autorizou a divulgação de seu depoimento nesta fase, mas menciona repetidas agressões sexuais.

A AFP também consultou o depoimento por escrito de outra mulher, enviado à Nunciatura Apostólica, a embaixada do Vaticano na capital marroquina.

Essa mulher acusa o cardeal de "gestos físicos" que ela "considerou inadequados", incluindo "abraços particularmente insistentes e prolongados" e "uma tentativa de contato físico que poderia ser comparada a uma tentativa" de beijá-la, da qual ela diz ter escapado.

Uma fonte dentro da diocese também contou à AFP que pelo menos outras três mulheres afirmaram ter sido vítimas de "incidentes semelhantes", comentários feitos principalmente durante a confissão.

- Afastamento -

Ao ser contatado pela AFP a respeito dessas acusações, o arcebispo disse que já havia "respondido aos seus superiores eclesiásticos". "Continuarei cooperando plenamente com eles na investigação" que foi aberta, disse, após afirmar que não cometeu "nenhuma agressão, violência ou assédio sexual".

"Durante este período de investigação, para não obstrui-la, eu me afastarei, não presidindo nenhuma celebração pública e sem participar de nenhuma atividade pastoral", acrescentou em outra declaração dirigida aos fiéis da diocese e transmitida à AFP.

A Santa Sé não respondeu até o momento aos pedidos de comentários da AFP.

Escolhidos pelo papa, os cardeais formam o círculo íntimo dos mais altos dignatários da Igreja, encarregados de auxiliá-lo no governo. Os cardeais com menos de 80 anos também participam no conclave para eleger o seu sucessor.

Durante o conclave de maio de 2025, López Romero estava entre os cardeais mais visíveis e influentes, e vários veículos da imprensa chegaram inclusive a apresentá-lo como um "papável", termo que designa os cardeais considerados com maior probabilidade de serem eleitos papa.

A Igreja Católica segue marcada por uma série de escândalos sobre abusos sexuais, cometidos por membros do clero e seu acobertamento.

Durante o pontificado de Francisco (2013-2025), foi reafirmada uma política de tolerância zero e foram implementadas várias reformas para melhorar a gestão das denúncias.

(P.Ngobeni--TPT)