Sem Paquetá, Brasil encara desafio de reconstruir meio-campo contra Noruega
Apesar dos altos e baixos, o Brasil já havia consolidado um meio-campo que dividia as funções defensivas e ofensivas. Com Lucas Paquetá lesionado, Carlo Ancelotti precisará reorganizar suas opções para o confronto das oitavas de final da Copa do Mundo contra a Noruega.
Bruno Guimarães e Casemiro, os homens de confiança de 'Carletto' na Seleção, poderão ter um novo companheiro no meio no próximo domingo, em East Rutherford, Nova Jersey.
Paquetá sofreu uma lesão na parte posterior da coxa esquerda no primeiro tempo da virada por 2 a 1 sobre o Japão, na última segunda-feira, em Houston.
A CBF não informou o tempo de recuperação, mas uma fonte da entidade disse à AFP que o jogador é desfalque certo para as oitavas de final e boa parte do restante do torneio, caso o Brasil avance.
Sua ausência é uma dor de cabeça para o treinador italiano, que já havia encontrado um equilíbrio com o jogador do Flamengo formando o meio-campo.
Agora, Ancelotti terá que decidir se irá substituí-lo por outro meio-campista ou mudar o esquema tático que está dando resultados até agora.
Quando o Brasil ataca, Paquetá ocupa o lado esquerdo de um trio no meio-campo no qual Bruno Guimarães abre pela direita e Casemiro fica no centro. Os dois primeiros atacam a área e assumem um papel de criação.
Na fase defensiva, a equipe se organiza em um 4-4-2, com Paquetá no lado esquerdo, Bruno e Casemiro pelo meio e um ponta compondo pela esquerda.
- Danilo Santos, a opção óbvia -
Lucas Paquetá explicou que Ancelotti pede que ele ajude "defensivamente e na construção de jogadas".
"O Mister sempre pede para colocar para fora minhas características, ele não me traz muito controle com bola. Ele pede para jogar à vontade, participar do jogo. E sem a bola fazer minhas habilidades defensivas", explicou o meia após a vitória por 3 a 0 sobre o Haiti na primeira fase.
Quem consegue preencher essa lacuna e assumir a posição de titular em um jogo de grande importância?
O único jogador do elenco com essas características, e que também é canhoto como Paquetá, é Danilo Santos.
Danilo estreou sob o comando de Ancelotti na Seleção em março. Desde então, disputou sete jogos, sendo titular em apenas um, e atuou por apenas 20 minutos, distribuídos por três jogos, na Copa do Mundo.
Nos amistosos que antecederam o torneio, o jogador do Botafogo teve boas atuações graças ao entrosamento com os atacantes, bem como à sua capacidade no um contra um e à sua característica de homem "box to box", especialmente na vitória por 3 a 1 sobre a Croácia, quando marcou seu primeiro gol com a 'Amarelinha'.
"Eu posso jogar de 5, de 8 e até mesmo de 10. Consigo marcar, atacar e fazer o bate e volta. Isso facilita e me ajuda muito", declarou Danilo ao portal Globo Esporte antes do início do Mundial.
- Mudança no esquema? -
Carlo Ancelotti também pode optar por escalar mais um atacante e tentar explorar vulnerabilidade da defesa da Noruega, que sofreu oito gols em quatro jogos na Copa do Mundo.
Essa foi a solução encontrada para o segundo tempo contra o Japão: Endrick entrou como centroavante, enquanto Matheus Cunha, que vinha atuando como falso nove ou meia-atacante, recuou para desempenhar uma função semelhante à de Paquetá.
O próprio Ancelotti revelou que essa era uma opção para começar um jogo que exigia "mais força" na área adversária. "Endrick poderia dar essa força e mais presença na área", observou o treinador.
Além do jovem atacante do Real Madrid, a vaga poderia ser ocupada por Gabriel Martinelli, autor do gol da vitória sobre os "Samurais Azuis". O jogador do Arsenal atuaria pelos lados do campo, com Vinícius Júnior jogando mais à frente.
Por fim, Ancelotti poderia optar por jogar com um camisa 10 como Neymar, embora o craque tenha poucas chances de começar como titular devido às suas condições físicas.
Em outro cenário, também improvável, o treinador pode reforçar o sistema defensivo pensando nas ameaças de Erling Haaland e Martin Odegaard e escalar Fabinho ou Éderson ao lado de Casemiro.
No entanto, a presença de um desses jogadores de características defensivas significaria que a responsabilidade pela criação recairia exclusivamente sobre Bruno Guimarães.
(R.Williams--TPT)