The Peninsula Times - Bill Clinton afirma a congressistas que não sabia dos crimes de Epstein

Johannesburg -
Bill Clinton afirma a congressistas que não sabia dos crimes de Epstein
Bill Clinton afirma a congressistas que não sabia dos crimes de Epstein / foto: Charly Triballeau - AFP

Bill Clinton afirma a congressistas que não sabia dos crimes de Epstein

O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton negou, nesta sexta-feira (27), que tenha cometido irregularidades, perante uma comissão do Congresso que investiga seus laços com Jeffrey Epstein, enquanto os democratas tentam desviar as atenções para a relação do presidente Donald Trump com o financista.

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Clinton, 79 anos, é um dos destaques nas últimas revelações dos arquivos de Epstein. No entanto, o ex-presidente insistiu em que rompeu relações com o falecido financista muito antes de sua condenação por crimes sexuais em 2008.

"Não tinha ideia dos crimes que Epstein estava cometendo", disse o ex-presidente Clinton (1993-2001) à comissão. "Nem mesmo com a perspectiva que o tempo dá, nunca vi nada que me fizesse duvidar", acrescentou.

O republicano James Comer, presidente da Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes, considerou o depoimento "muito produtivo" e disse que Bill respondeu "a todas as perguntas, ou, pelo menos, tentou".

Já Nancy Mace, colega republicana de Comer, mencionou "inconsistências" no depoimento, mas não citou exemplos.

- 'Presidente errado' -

O comparecimento de Bill Clinton perante a comissão, controlada pelos republicanos, ocorreu um dia após o depoimento de sua mulher, Hillary Clinton, ex-secretária de Estado. Ambos prestam depoimento em Chappaqua, perto de Nova York, onde residem.

O democrata Suhas Subramanyam, membro da comissão, reagiu com um pedido para que o presidente Donald Trump seja interrogado: "Sejamos realistas, hoje estamos falando com o presidente errado."

"O presidente Trump é quem entorpece nossa investigação. O presidente Trump é quem deseja acabar com isto", acrescentou Subramanyam. Ele ressaltou que Clinton não fugiu de nenhuma pergunta.

Sem mencionar diretamente Trump, Clinton destacou em seu depoimento que "ninguém está acima da lei, nem mesmo os presidentes".

As audiências aconteceram a portas fechadas, apesar de um pedido dos Clinton para que elas fossem públicas e televisionadas. O vídeo dos dois depoimentos deve ser divulgado em 24 horas.

A simples menção nos arquivos não constitui prova de cometimento de um crime. O ex-presidente reconheceu sua relação com Epstein, mas nega qualquer irregularidade, e não há acusações formais contra ele.

- 'Não tenho essa informação' -

O ex-presidente explicou que voou no avião de Epstein diversas vezes no início dos anos 2000 para trabalhos humanitários relacionados à Fundação Clinton, mas afirmou que nunca visitou a ilha particular de Epstein no Caribe.

A Comissão de Supervisão da Câmara investiga pessoas ligadas a Epstein, especialmente após o Departamento de Justiça ter divulgado milhões de novos documentos.

Novas fotografias tiradas recentemente dos arquivos de Epstein mostram Bill Clinton recostado em uma banheira de hidromassagem, com parte da imagem coberta por uma tarja preta. Em outra, Clinton aparece nadando junto a uma mulher de cabelos escuros que parece ser a cúmplice de Epstein, Ghislaine Maxwell.

Em sua declaração inicial perante a comissão, Hillary Clinton indicou que sua intimação se baseava na "suposição de que eu possuo informações sobre as investigações das atividades criminosas de Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell".

"Deixe-me ser o mais clara possível. Eu não tenho essas informações", afirmou ela. Além disso, insistiu em que não viajou no avião de Epstein, nem visitou a ilha dele.

Epstein foi um financista de Nova York que se relacionava com os ricos, famosos e poderosos do mundo. Foi condenado em 2008 por solicitar sexo a menores de idade, inclusive a adolescentes de apenas 14 anos.

Ele foi encontrado morto em 2019, em sua cela em uma prisão de Nova York, onde enfrentava um segundo julgamento por suposto tráfico sexual. Sua morte foi considerada suicídio.

Inicialmente, os Clinton recusaram-se a depor, mas concordaram depois que congressistas republicanos ameaçaram considerá-los culpados de desacato ao Congresso.

Os democratas argumentam que a investigação tem sido usada para atacar os adversários políticos de Trump em vez de fazer uma apuração autêntica.

(A.DuToit--TPT)