Parentes denunciam julgamento de veteranos de guerra acusados de conspirar contra posse de Bukele
O processo judicial contra uma dezena de veteranos de guerra salvadorenhos, acusados de planejar atentados durante a posse do presidente Nayib Bukele em 2024, é uma "barbárie jurídica" devido às suas múltiplas irregularidades, denunciaram nesta terça-feira (11) familiares dos acusados.
Seis ex-militares, três ex-guerrilheiros da Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN) e um comunicador foram detidos entre maio e junho de 2024 sob a acusação de preparar ataques por ocasião da posse de Bukele para um segundo mandato.
O julgamento deveria começar nesta terça-feira, mas foi adiado para o próximo dia 7 de setembro.
A promotoria os acusa de planejar explosões em postos de gasolina, supermercados e instituições públicas para boicotar a posse em 1º de junho de 2024, que transcorreu sem incidentes.
"Eles são acusados de 'querer atentar contra o presidente'", declarou à AFP Mextli Montalvo, filha do ex-guerrilheiro septuagenário Atilio Montalvo, o único que responde ao processo em liberdade por motivos de saúde e compareceu ao tribunal em uma cadeira de rodas.
O processo é uma "barbárie jurídica (...) sem garantias, irregular, anômala", afirmaram os familiares dos acusados em um comunicado lido durante um protesto por ocasião da audiência.
Eles acrescentaram que "não há uma única prova real" que os incrimine e que a acusação é "falsa".
Também denunciaram que serão julgados sob o regime de exceção que ampara a guerra de Bukele contra as gangues, apesar de não serem acusados de pertencer a esses grupos.
Esses julgamentos são realizados sob sigilo, o que, segundo advogados de defesa, limita seu trabalho.
Além disso, os familiares rejeitam que o caso esteja nas mãos de uma "juíza sem rosto", como são chamados os magistrados cuja identidade é mantida em sigilo como parte da restrição de direitos.
Cerca de 92 mil pessoas foram detidas sem ordem judicial sob o regime de exceção, que, segundo organizações internacionais, resultou em abusos que poderiam constituir crimes contra a humanidade.
"Desde o primeiro minuto ficou demonstrado que meu pai é inocente e que os companheiros também são", declarou a jornalistas Montalvo, cujo pai é um dos signatários dos acordos de paz de 1992 que puseram fim à guerra civil salvadorenha, que deixou cerca de 75 mil mortos.
"Desde que foram capturados, não sabemos nada sobre eles (...), o que pedimos e exigimos é que sejam libertados o quanto antes e que sejam totalmente absolvidos", afirmou Rosa Flores, outra familiar.
Bukele, que governa com poder absoluto, buscará um terceiro mandato em fevereiro próximo, após reformas legais que consagraram a reeleição por tempo indeterminado.
(G.Khumalo--TPT)