EUA volta a negar visto ao líder palestino Abbas para Assembleia da ONU
Pelo segundo ano consecutivo, os Estados Unidos negaram o visto ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, para participar da Assembleia Geral da ONU na próxima semana, em Nova York, segundo uma informação do Departamento de Estado americano.
Em um comunicado, a chancelaria dos Estados Unidos justificou a medida que afeta o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) com o argumento de que a entidade não implementou as reformas assumidas com os Estados Unidos e persistiu em atividades "que comprometem as perspectivas de paz".
Por isso, "os Estados Unidos vão prorrogar as sanções que proíbem a concessão de vistos a membros da OLP e aos dirigentes da Autoridade Palestina", afirmou. Uma fonte próxima ao caso confirmou à AFP que a sanção também se aplica a Abbas.
O Ministério das Relações Exteriores da Autoridade Palestina criticou, em um comunicado, o que chamou de uma "decisão injustificada" e afirmou que "vai contra os esforços para restabelecer a confiança e desenvolver as relações entre palestinos e americanos".
No ano passado, o governo do presidente Donald Trump adotou a mesma medida contra o líder palestino, o que o obrigou a discursar na ONU por videoconferência.
A assembleia aprovou por 152 votos a favor e três contrários voltar a adotar o formato remoto para poder ouvir o líder palestino.
Washington acusa Abbas de não cumprir "compromissos a favor da paz no Oriente Médio" e atribui a ele "ações" destinadas a internacionalizar o conflito israelense-palestino, especialmente por meio do Tribunal Penal Internacional (TPI) e da Corte Internacional de Justiça (CIJ).
Segundo a Casa Branca, a Autoridade Palestina "procura contornar as negociações" de paz ao buscar um reconhecimento unilateral e continua pagando "benefícios a terroristas", além de glorificar "atos de terrorismo e terroristas em declarações públicas e livros didáticos".
No ano passado, os Estados Unidos se distanciaram da posição de diversos países, que reconheceram na ONU a existência de um Estado palestino. Ao todo, 142 Estados-membros das Nações Unidas apoiaram esse reconhecimento ao fim da conferência sobre a solução de dois Estados, presidida por França e Arábia Saudita.
(E.Ndlovu--TPT)