María Corina Machado agradece a Trump por abrir a "comporta para a liberdade" da Venezuela
A líder opositora e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, de volta à Venezuela, agradeceu nesta quinta-feira (29) ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por abrir a "comporta para a liberdade" de seu país com a captura de Nicolás Maduro em janeiro.
Machado concedeu em Caracas sua primeira entrevista coletiva desde seu retorno, no domingo, que levou uma multidão de simpatizantes às ruas em uma caravana em direção à capital, após dez meses de exílio.
"Quero agradecer ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao governo dos Estados Unidos e ao secretário de Estado, Marco Rubio, porque, graças à sua visão, à sua coragem e à sua ação em 3 de janeiro, essa comporta para a liberdade foi aberta", disse Machado.
No encontro organizado na Universidade Católica Andrés Bello, a dirigente também afirmou que voltou à Venezuela para "mobilizar a sociedade" em preparação para as eleições presidenciais, que espera que ocorram no próximo ano.
"Os prazos ficaram mais claros. O secretário de Estado, Marco Rubio, apresentou uma sequência de acontecimentos para avançar rumo a uma transição democrática, deixando clara a realização de eleições presidenciais em 2027", explicou.
Pouco antes, a presidente interina Delcy Rodríguez afirmou que a Venezuela realizará eleições limpas, embora não tenha indicado uma data.
"Muitos se perguntam sobre os prazos eleitorais. Já disse que haverá eleições, todas as previstas em nossa Constituição, organizadas por uma autoridade eleitoral renovada e com o mundo como testemunha", declarou Rodríguez nesta quinta-feira.
A oposição venezuelana denunciou como fraudulentas as eleições presidenciais de 2024, nas quais Maduro se proclamou reeleito.
— Mesa de diálogo —
Machado também se referiu às negociações entre um setor da oposição e o governo interino, iniciadas em agosto sob os auspícios dos Estados Unidos.
"Nós não fazemos parte dessa mesa nem do que vem a seguir. Como advertimos na ocasião, não apenas não estamos criando obstáculos, como também temos muito interesse em que ela tenha sucesso e cumpra seu objetivo", afirmou.
A dirigente ressaltou que essas negociações devem concretizar a nomeação de um novo Tribunal Supremo de Justiça, assim como a renovação do Conselho Nacional Eleitoral.
"A data da eleição é a data da libertação", acrescentou Machado.
— Acordo petrolífero —
A líder opositora questionou a transparência do acordo assinado em agosto entre o governo interino e o governo Trump, que concedeu aos Estados Unidos o controle de 65 bilhões de barris das reservas petrolíferas da Venezuela, equivalentes a 20% do total.
"Este acordo não reflete os níveis de transparência que a sociedade venezuelana deseja", afirmou Machado.
O acordo não foi divulgado oficialmente, embora veículos de comunicação dos Estados Unidos tenham vazado seu conteúdo há algumas semanas.
O acordo é operado pela empresa North American Blue Energy Partners (Nabep), comandada por Alejandro Betancourt, empresário apontado por supostos negócios obscuros durante os governos de Hugo Chávez (1999-2013) e Nicolás Maduro (2013-2026).
"Em relação à empresa Nabep e a esse contrato, sobre o qual muito se especulou, eu não conheço o contrato, não o conheço, não o vi. Acredito que nenhum venezuelano, pelo menos entre os presentes neste auditório, o tenha visto", disse Machado.
"E, se há algo que interessa à Venezuela, mas também aos nossos aliados, é um sistema de transparência absoluta, no qual os venezuelanos possam conhecer até a última linha de todos os acordos firmados em nosso país", acrescentou.
(D.Maluleke--TPT)