Quatro conclusões do processo movido por Musk contra a OpenAI
O primeiro grande julgamento no setor de inteligência artificial (IA) no Vale do Silício está chegando ao fim. Após três semanas de audiências pela ação judicial de Elon Musk contra os cofundadores da OpenAI, as deliberação do júri estão previstas para começar nesta segunda-feira (18).
A seguir, quatro momentos que se destacaram no processo:
- Musk diz ter sido ingênuo -
Na abertura do julgamento, em 28 de abril, Musk se apresentou como um benfeitor desinteressado e um "bom samaritano" preocupado em proteger a humanidade de uma IA que, caso caísse nas mãos erradas, "poderia matar todos nós".
"Eu tive a ideia, o nome, recrutei as pessoas‑chave, ensinei a elas tudo o que sei e forneci todo o financiamento inicial", disse o CEO da SpaceX sobre a fundação da OpenAI em 2015.
"Dei 38 milhões de dólares essencialmente em troca de nada, que eles usaram para construir uma empresa de 800 bilhões de dólares. Eu literalmente fui um idiota", disse, culpando-se por sua ingenuidade.
Musk ficou visivelmente irritado durante o julgamento quando acusou o advogado da OpenAI de fazer perguntas para colocá-lo em uma armadilha.
- Altman contra-ataca -
O CEO e cofundador da OpenAI, Sam Altman, manteve-se inexpressivo na primeira fila da sala de audiências em Oakland durante a maior parte das sessões. Ele prestou depoimento em 12 de maio.
O advogado de Musk, Steven Molo, o aguardava para perguntar se ele sempre havia dito a verdade. Altman respondeu: "Tenho certeza de que houve momentos na minha vida em que não o fiz".
Então, contra-atacou: afirmou que, em 2017, Musk pediu "90% das ações" e "se recusou a se comprometer por escrito" a compartilhar o poder.
O diretor-executivo acrescentou, ainda, que não tinha outra opção: "Nós não acreditávamos que a inteligência artificial geral devesse estar sob o controle de uma única pessoa".
- O caderno de Brockman -
Greg Brockman, presidente e cofundador da OpenAI, fez anotações de todas as audiências em cadernos amarelos.
Os antigos diários que ele preencheu anos atrás tiveram lugar central durante seu interrogatório, em 4 de maio.
O advogado de Musk enfatizou alguns dos trechos mais constrangedores. Brockman queria "ganhar dinheiro" e cogitava transformar a OpenAI "em uma sociedade mercantil sem" a presença de Musk. Ou "roubar a fundação" do bilionário.
"Não há nada ali de que eu me envergonhe", respondeu Brockman, e contou que no diário não constam os detalhes de um episódio envolvendo Musk em 2017. "Eu realmente achei que ele fosse me bater", disse o presidente da OpenAI sobre o incidente.
Brockman não investiu financeiramente na criação da empresa, mas hoje suas ações na companhia estão avaliadas em cerca de 30 bilhões de dólares (R$ 152 bilhões).
- Intermediária secreta -
Shivon Zilis, mãe de quatro dos filhos de Musk, raramente aparece em público. Por isso, sua aparição em 6 de maio despertou curiosidade.
Zilis, que esteve no conselho da OpenAI entre 2020 e 2023, foi questionada sobre seu papel particular como colega de Musk na Neuralink e amiga de Altman.
Naquele momento, sua relação com Musk era um segredo. Seus filhos foram concebidos por fertilização in vitro.
A OpenAI a acusa de ser uma espiã do bilionário.
Zilis respondeu às perguntas de forma breve e, em algumas ocasiões, com sarcasmo. "Relação é um termo relativo", respondeu quando questionada sobre sua relação com Musk, antes de reconhecer que "houve momentos românticos".
Suas mensagens para Musk e Altman poderiam levar o júri a concluir que o CEO da SpaceX, amplamente informado por ela, sabia qual direção a OpenAI tomaria muito antes de 2023.
Se isto for confirmado, sua ação pode ser rejeitada mesmo antes de o júri começar a deliberar sobre o caso.
(G.Khumalo--TPT)